Em sistemas de combate a incêndio com espuma, não basta ter água e Líquido Gerador de Espuma disponíveis. Para que a solução chegue aos equipamentos de aplicação nas condições previstas, é necessário misturar esses componentes na proporção correta.
É justamente essa a função do proporcionador de espuma.
O equipamento realiza a dosagem do LGE na corrente de água, formando a solução que posteriormente dará origem à espuma. Dependendo do concentrado utilizado, essa proporção pode variar. A Protector Fire informa, por exemplo, que existem LGEs destinados a dosagens de 1%, 3% ou 6%, conforme a aplicação.
Por isso, compreender como o proporcionamento funciona é essencial para especificar, instalar e manter corretamente o sistema.
Além disso, pressão, vazão, tubulação, equipamento de aplicação e características do próprio LGE podem influenciar diretamente o resultado.
O que é um proporcionador de espuma?
O proporcionador de espuma é o componente responsável por introduzir o LGE na água na concentração prevista para o sistema.
Em termos práticos, ele cria a mistura de água e concentrado que será conduzida até o equipamento responsável pela formação e aplicação da espuma.
Dependendo do projeto, essa solução pode seguir para:
- esguichos lançadores de espuma;
- canhões monitores;
- câmaras de espuma;
- sistemas fixos;
- equipamentos móveis.
Portanto, o proporcionador atua como um elo entre o abastecimento de água, o reservatório de LGE e o ponto de aplicação.
A Protector Fire também destaca que existem diferentes tipos de proporcionadores conforme vazão e configuração. Entre eles estão equipamentos instalados em linha e sistemas associados a tanques diafragma. Alguns esguichos para canhão também podem incorporar proporcionamento.
Como funciona a dosagem do LGE?
A lógica pode ser entendida por meio da concentração indicada para o concentrado.
Se determinado LGE trabalha a 3%, por exemplo, a solução precisa receber aproximadamente:
3 partes de LGE + 97 partes de água.
Da mesma forma, em uma concentração de 6%:
6 partes de LGE + 94 partes de água.
A própria Protector Fire utiliza esse exemplo ao explicar a dosagem dos líquidos geradores de espuma.
Entretanto, o proporcionamento real não consiste apenas em “despejar” determinada quantidade de produto na água.
O equipamento precisa realizar essa dosagem enquanto existe fluxo no sistema.
Por isso, vazão e pressão passam a ter importância fundamental.
Por que a porcentagem do LGE varia?
Nem todo LGE utiliza a mesma concentração.
Existem produtos formulados para diferentes aplicações e taxas de dosagem.
A Protector Fire informa que há LGEs de 1%, 3% e 6%, além de produtos destinados a riscos diferentes, como hidrocarbonetos, solventes polares e determinadas aplicações de Classe A ou Classe B.
Portanto, a porcentagem não deve ser escolhida arbitrariamente.
Ela precisa respeitar:
- especificação do LGE;
- risco protegido;
- características do sistema;
- equipamentos utilizados;
- parâmetros previstos no projeto.
Assim, antes de avaliar o proporcionador, é necessário saber qual concentrado será utilizado.
Um exemplo ajuda a entender a dosagem
Imagine um sistema projetado para fornecer 1.000 litros por minuto de solução utilizando um LGE a 3%.
De forma simplificada, a proporção correspondente seria:
30 litros de LGE + 970 litros de água = 1.000 litros de solução.
Agora considere um LGE a 6%.
Mantendo os mesmos 1.000 litros de solução, a relação seria:
60 litros de LGE + 940 litros de água.
Esse exemplo demonstra por que a concentração influencia também o consumo do produto.
Consequentemente, selecionar o concentrado correto e configurar adequadamente o proporcionamento é importante tanto para o desempenho quanto para o planejamento da reserva de LGE.
Como o proporcionador consegue puxar o LGE?
Isso depende do tipo de equipamento.
Em determinados proporcionadores de linha, o funcionamento utiliza diferenças de pressão criadas pelo próprio fluxo de água.
Como resultado, o LGE é aspirado e introduzido na corrente.
Além disso, existem sistemas em que o concentrado é fornecido sob pressão, como configurações envolvendo tanque diafragma.
A Protector Fire explica que o proporcionador pode dispersar o LGE por um orifício calibrado e trabalhar com diferentes fluxos conforme diâmetro e pressão.
Por isso, um equipamento não deve ser escolhido apenas pelo tamanho da conexão.
Vazão e proporcionamento estão diretamente relacionados
Esse é um dos pontos técnicos mais importantes.
O proporcionador foi desenvolvido para operar dentro de determinadas condições hidráulicas.
Se a vazão real estiver muito diferente daquela considerada no equipamento ou no projeto, a concentração obtida também pode sair da faixa esperada.
Por exemplo, alterar o dispositivo de descarga sem verificar a compatibilidade hidráulica pode modificar o comportamento do conjunto.
Portanto, proporcionador, tubulação e equipamento de aplicação precisam trabalhar de forma compatível.
A pressão também influencia?
Sim.
A pressão disponível interfere no funcionamento do sistema e na vazão através do proporcionador.
Consequentemente, alterações excessivas de pressão podem prejudicar a capacidade de dosar corretamente o LGE.
Além disso, perdas de carga ao longo da instalação precisam entrar no cálculo.
Entre os elementos que podem interferir estão:
- comprimento das tubulações;
- diâmetro;
- conexões;
- válvulas;
- mangueiras;
- diferenças de nível;
- equipamentos instalados em linha.
Por isso, a pressão observada na alimentação nem sempre é a mesma disponível no ponto de aplicação.
O equipamento de aplicação interfere na dosagem?
Pode interferir no comportamento hidráulico do sistema.
Depois que água e LGE formam a solução, ela precisa seguir até o dispositivo de descarga.
Esse equipamento pode ser um esguicho, uma câmara de espuma ou um canhão monitor, por exemplo.
Se a vazão exigida pelo dispositivo não for compatível com o proporcionador, o sistema pode operar fora da condição prevista.
Assim, escolher cada componente separadamente é um erro.
O sistema deve ser analisado como um conjunto.
Proporcionador e esguicho lançador de espuma
Em uma configuração móvel, o proporcionador pode realizar a dosagem antes que a solução siga pela mangueira.
Em seguida, ela chega ao esguicho lançador.
Nesse ponto, ocorre a formação e aplicação da espuma conforme as características do equipamento.
Portanto, existe uma sequência:
água → proporcionamento do LGE → solução → formação da espuma → aplicação.
Essa sequência ajuda a entender que o proporcionador não produz sozinho a espuma final.
Ele prepara a solução na concentração necessária.
Proporcionador e câmara de espuma
Em sistemas fixos, a solução também pode seguir até uma câmara de espuma.
Nesse cenário, cada componente possui uma função específica.
Primeiro, acontece o proporcionamento.
Depois, a solução chega ao equipamento responsável por formar e aplicar a espuma no local protegido.
A Protector Fire possui inclusive conteúdo específico sobre a integração do proporcionador aos sistemas com câmaras de espuma.
Por isso, uma falha na dosagem pode comprometer o resultado mesmo quando a câmara está em boas condições.
O que acontece quando entra menos LGE do que o necessário?
A subdosagem significa que a concentração está abaixo do valor previsto.
Se um produto foi especificado para determinada porcentagem, utilizar menos concentrado pode alterar as características da solução.
Como resultado, formação, estabilidade e desempenho da espuma podem ficar diferentes do esperado.
Entre as possíveis causas estão:
- vazão fora da faixa;
- pressão inadequada;
- obstruções;
- entrada de ar;
- problemas na sucção;
- configuração incorreta;
- instalação inadequada.
Por isso, a simples presença de LGE no sistema não comprova que o proporcionamento está correto.
E quando entra LGE demais?
O excesso também não representa uma condição ideal.
Mais concentrado não significa necessariamente melhor combate.
Além do consumo maior de produto, a solução passa a trabalhar fora da proporção para a qual foi prevista.
Consequentemente, podem surgir alterações no comportamento da espuma e desperdício de LGE.
A Protector Fire destaca justamente que tanto a falta quanto o excesso de concentrado podem comprometer a operação do sistema.
Portanto, o objetivo não é maximizar a quantidade de LGE.
O objetivo é manter a concentração correta.
Quais problemas podem comprometer a dosagem do LGE?
Existem diferentes pontos de atenção.
Vazão incompatível
Se o fluxo ficar fora da faixa prevista para o proporcionador, a dosagem pode sofrer alteração.
Pressão inadequada
Pressão insuficiente ou condições hidráulicas diferentes do projeto também podem prejudicar o proporcionamento.
Obstrução
Resíduos ou restrições na linha podem limitar a passagem do concentrado.
Instalação incorreta
Tubulações, conexões e posicionamento precisam respeitar as características do equipamento.
Problemas no LGE
Além do proporcionador, o próprio concentrado precisa permanecer em condições adequadas de armazenamento e utilização.
Falta de manutenção
Um sistema que permanece longos períodos sem inspeção pode apresentar problemas justamente durante uma emergência.
Dessa forma, desempenho depende tanto do equipamento quanto das condições de todo o sistema.
O diâmetro da tubulação faz diferença?
Sim.
O diâmetro influencia vazão e velocidade do fluido.
Além disso, tubulações mal dimensionadas podem aumentar perdas de carga.
Como resultado, a condição hidráulica disponível no proporcionador pode ficar diferente daquela considerada inicialmente.
Portanto, trocar diâmetros ou modificar trechos sem analisar o sistema pode gerar consequências além daquele ponto específico.
Mangueiras também precisam ser compatíveis?
Sim.
Em sistemas móveis, comprimento, diâmetro e configuração das mangueiras influenciam as perdas de pressão.
Consequentemente, adicionar grandes extensões pode modificar a condição de operação.
Por isso, o conjunto precisa ser avaliado considerando desde a alimentação até o esguicho.
Essa abordagem reduz o risco de dimensionar corretamente cada equipamento isoladamente, mas obter um conjunto incompatível.
A distância entre o proporcionador e o LGE importa?
Dependendo do sistema, sim.
Em equipamentos que trabalham por sucção, a configuração da linha que conduz o concentrado pode influenciar o funcionamento.
Por isso, deve-se respeitar as orientações específicas do proporcionador.
Tubulações excessivamente longas, restrições ou instalações inadequadas podem dificultar a entrada de LGE.
Assim, pequenas alterações aparentemente simples podem modificar o proporcionamento.
Como saber se a concentração está correta?
Não é recomendável confiar apenas na aparência da espuma.
O sistema precisa passar por verificações e testes adequados.
A concentração obtida pode ser avaliada por procedimentos técnicos compatíveis com o tipo de sistema e com as especificações adotadas no projeto.
Além disso, inspeções periódicas permitem verificar:
- condição do proporcionador;
- passagem do LGE;
- válvulas;
- conexões;
- tubulações;
- condições do concentrado;
- dispositivos de aplicação.
Dessa forma, problemas podem ser identificados antes de uma emergência.
Testar apenas o fluxo de água é suficiente?
Não necessariamente.
Um sistema pode apresentar boa vazão de água e, ainda assim, ter problema no proporcionamento do LGE.
Por exemplo, a linha de sucção pode estar obstruída.
Nesse cenário, visualmente existe fluxo no equipamento, porém a solução não apresenta a concentração esperada.
Por isso, os procedimentos de inspeção precisam considerar a função específica do sistema de espuma.
A condição do LGE também influencia?
Sim.
O proporcionador pode estar funcionando corretamente, mas o desempenho final ainda depende das condições do concentrado.
Armazenamento inadequado, incompatibilidade, contaminação ou utilização fora das especificações podem comprometer o produto.
A Protector Fire mantém um conteúdo específico sobre fatores que podem afetar o desempenho do líquido gerador de espuma durante uma emergência.
Portanto, avaliar apenas o equipamento dosador não é suficiente.
É possível misturar diferentes LGEs?
Essa decisão exige atenção técnica.
Produtos diferentes podem possuir formulações, concentrações e compatibilidades distintas.
Por isso, substituir ou misturar concentrados sem verificar especificações pode alterar o comportamento da solução.
Além disso, uma troca de LGE pode exigir reavaliação do proporcionamento.
Se o sistema estava configurado para um produto a 3% e passa a utilizar outro com concentração diferente, por exemplo, a dosagem necessária também muda.
O proporcionador precisa de manutenção preventiva?
Sim.
O equipamento pode permanecer grande parte do tempo sem entrar em operação.
No entanto, durante uma emergência, ele precisa funcionar imediatamente.
Por isso, inspeções preventivas são fundamentais.
Entre os pontos que podem ser verificados estão:
- condições gerais;
- conexões;
- orifícios;
- tubulação do LGE;
- válvulas;
- sinais de obstrução;
- corrosão;
- compatibilidade com os demais componentes.
Além disso, testes do conjunto ajudam a identificar alterações hidráulicas.
Alterações no sistema exigem nova avaliação?
Sim.
Uma instalação pode ter sido corretamente dimensionada originalmente.
Entretanto, mudanças posteriores podem alterar seu comportamento.
Isso acontece, por exemplo, quando a empresa modifica:
- bombas;
- tubulações;
- válvulas;
- esguichos;
- canhões;
- reservatórios;
- comprimento das linhas;
- tipo de LGE.
Por isso, qualquer alteração relevante deve considerar novamente o proporcionamento.
Como escolher um proporcionador de espuma?
A escolha deve considerar o sistema como um todo.
Antes de selecionar o equipamento, é importante conhecer:
- tipo de LGE;
- concentração necessária;
- vazão do sistema;
- pressão disponível;
- aplicação;
- equipamento de descarga;
- configuração hidráulica.
Além disso, o risco protegido também precisa ser considerado.
Dessa forma, a escolha deixa de ser baseada somente em conexão ou tamanho físico.
Quais informações levantar antes de solicitar o equipamento?
Quanto mais informações técnicas estiverem disponíveis, melhor será a especificação.
Por isso, vale reunir:
- vazão necessária;
- pressão;
- concentração do LGE;
- tipo de concentrado;
- diâmetro da tubulação;
- equipamento de aplicação;
- distância entre componentes;
- configuração do sistema.
Se essas informações ainda não estiverem definidas, o ideal é realizar uma análise técnica antes da compra.
Proporcionador de espuma: precisão faz parte da segurança
O proporcionador de espuma possui uma função específica, porém decisiva: manter a relação adequada entre água e LGE.
Por isso, o funcionamento correto depende de muito mais do que o próprio equipamento.
Vazão, pressão, tubulações, concentração do produto e dispositivos de aplicação precisam trabalhar de forma compatível.
Além disso, manutenção e testes ajudam a verificar se o sistema continua dentro das condições esperadas.
Consequentemente, a dosagem do LGE deve ser tratada como parte do projeto e da manutenção do sistema de combate a incêndio, e não apenas como uma configuração inicial.
Proporcionadores e LGE na Protector Fire
A Protector Fire atua desde 1999 no segmento de proteção, detecção e combate a incêndio e possui em seu portfólio proporcionadores de espuma, LGE e outros componentes destinados a sistemas de combate.
Para empresas que precisam especificar ou substituir componentes de um sistema de espuma, é importante avaliar o conjunto completo.
Assim, proporcionador, concentrado e equipamentos de aplicação podem ser selecionados de acordo com as características da instalação e do risco protegido.